Teste Aprilia Shiver 900

Teste Aprilia Shiver 900

Um motor mais encorpado e novidades electrónicas são suficientes para tornar esta italiana numa proposta equilibrada e divertida. Eis a nova Aprilia Shiver 900!

Introduzida no mercado em 2007, a Shiver destacou-se da concorrência por algumas soluções técnicas e de design bem diferentes. Dentro da gama Aprilia é a moto mais urbana, que podemos encontrar, uma naked que este ano recebeu importantes alterações – Clique aqui para saber mais sobre as alterações realizadas nas Aprilia Shiver e Dorsoduro 900 – que a tornam numa proposta verdadeiramente equilibrada, mas que nem por isso perdeu pitada de diversão.

A primeira coisa em que reparamos quando rodamos a chave na ignição é, muito provavelmente, o novo painel de instrumentos TFT a iluminar-se recheado de cores vivas e que dão um toque “premium” a esta naked.

É o mesmo painel das RSV4 e Tuono V4, não só mais de acordo com as exigências actuais em termos de aparência, mas principalmente porque nos mostra todo um conjunto variado de novidades electrónicas ajustáveis como o controlo de tração, ABS (desconectável), ou ainda os três mapas de motor (Sport, Touring e Rain).

De referir que a partir de agora a Shiver 900 permite a ligação por Bluetooth entre o nosso smartphone e a moto, com várias informações a serem apresentadas no painel.
Um único botão no punho esquerdo simplifica a utilização dos vários menus e escolha das ajudas electrónicas, excepto os modos motor que continuam a ser escolhidos através do botão de arranque, e só podemos aplaudir quando uma marca, neste caso a Aprilia, facilita a nossa vida. A única queixa a fazer neste particular é o facto de que, mais uma vez, a marca italiana não inclui o nível de combustível nas infos apresentadas…

Numa naked que se pretende polivalente e que quer agradar a um público variado, o motor é, provavelmente, dos elementos mais importantes. Não pode ser amorfo, mas não pode ser uma brutalidade de força. A Shiver 900 conta por isso com uma evolução do motor V-twin a 90º que conhecíamos da geração anterior, e que subiu dos 750 para os 896 cc graças ao aumento do curso dos pistões.

A Aprilia trabalhou ainda na redução da fricção de elementos internos, a alimentação do bicilíndrico foi melhorada com adopção de novos injectores, e a cambota optimizada em termos de equilíbrio para que, em conjunto com o novo sistema de acelerador eletrónico “ride-by-wire”, a Shiver 900 ofereça uma boa e suave performance em qualquer cenário. Também o cárter foi trabalhado, o circuito de lubrificação redesenhado, e assim existe uma menor perda de potência.

Tudo isto resulta num motor que se mostra extremamente generoso e elástico, desde as 3000 rpm já tem energia de sobra para deixar qualquer um de sorriso nos lábios, e nem por isso transmite grandes vibrações, o que em cidade é um factor muito agradável.

Não é um motor que goste de ser explorado nos regimes elevados

mas o facto de conseguir manter uma entrega linear ao longo das médias rotações, sem perder fôlego até às 6500 rpm, altura em que os 90 Nm se fazem sentir ao máximo, permite que mesmo os motociclistas mais experientes sintam um enorme prazer aos comandos desta Shiver 900.

Aprilia Shiver 900
Prazer esse exponenciado pelo curioso sistema de escape, com as ponteiras elevadas e debaixo do assento a receberem uns “cones” que aumentam os decibéis emitidos pelo motor. Euro4, onde estás?!

Os menos experimentados nestas andanças vão sentir-se também bastante confortáveis a explorar os 95 cv (70 cv no modo Rain)

Não só porque a posição de condução está bem conseguida e ergonómica, com todos os elementos bem posicionados, como o guiador largo, uma clara evolução em relação ao que era a anterior Shiver, mas principalmente porque a embraiagem suave em conjunto com a caixa de velocidades precisa, mas com um tacto algo rijo, permitem que o condutor esteja exclusivamente concentrado em desfrutar de cada viagem, por mais curta que seja, aos comandos desta 900.

Olhando para o peso de 218 kg a cheio, e tendo em conta os números apresentados pelo motor V-twin, até poderia estar tentado a dizer que a Shiver 900 está um pouco abaixo do expectável. Olhando para alguma da concorrência, fica até bastante abaixo. De facto, o peso é algo elevado, notei isso quando a queria movimentar na sessão de fotos em que passei horas a colocar a moto no ponto que o fotógrafo considerava ser o “ponto G”.

No entanto, aos comandos desta italiana, rapidamente percebi que onde a Aprilia pouco mexeu, acaba por ser também um dos seus pontos mais fortes e que disfarça o peso: a ciclística.

O esbelto quadro tubular tipo treliça

Reforçado por placas de alumínio nas laterais para garantir maior rigidez torsional, consegue distribuir o peso de forma quase perfeita, e desde o primeiro momento que fazemos a Shiver 900 dançar ao nosso ritmo.

Talvez nalguns momentos seja perceptível o peso, por exemplo na transição para deitar a moto para uma curva, mas nada que assuste, até porque a nova forquilha Kayaba, com afinação da pré-carga e extensão, tem um comportamento eficaz, oferecendo uma leitura muito boa do asfalto e mantendo a frente sob controlo sem qualquer problema.
Neste particular, e para aqueles que gostam de adoptar uma condução mais agressiva, convém referir que os “settings” base da Aprilia não são os mais indicados. O amortecedor traseiro da Sachs revela-se bastante rijo, enquanto a forquilha tem uma compressão demasiado suave.

Quando estamos com a Shiver bem inclinada em curva, a velocidades mais elevadas, a tendência é da forquilha tentar digerir as ondulações do asfalto que não são absorvidas tão bem pelo amortecedor, e com isso a direção torna-se vaga e obriga-nos a fazer algum trabalho extra para manter a trajectória. Nesses momentos temos de confiar no controlo de tracção, muito eficaz, e dar mais acelerador.

Ágil numa estrada de curvas, com os travões a não oferecerem uma potência inicial demasiado forte mas a serem doseáveis e com um tacto muito bom na manete, estável em linha reta sem sermos muito incomodados pelo vento, a Shiver 900 também não tem problemas em enfrentar o trânsito compacto.

O assento relativamente alto, a 810 mm, é esguio, e facilmente chegamos com os pés ao solo. As manobras por entre os carros apenas são limitadas pela brecagem reduzida, e que por vezes me apanhou desprevenido.

Quanto aos modos de motor, até porque a Shiver, em 2007, foi das primeiras motos de produção a contar com estas opções, raramente escolhi o modo Rain. Os 70 cv com que ficamos à disposição do punho direito sabem a pouco, e por isso rodei muito mais em Touring, onde os 95 cv fazem questão de dizer “presente!”, mas sem oferecer uma resposta tão imediata como em Sport. Mesmo quando conduzi a Shiver 900 depressa, preferi o acelerador mais progressivo em Touring. Em qualquer dos casos a resposta do acelerador é excelente.

O bom trabalho realizado pela Aprilia nesta renovação, deverá permitir que a Shiver 900 regresse à ribalta num segmento onde existem diversas, e boas opções. Os detalhes por vezes fazem a diferença quando falamos em nakeds mais utilitárias, e neste caso a Aprilia Shiver 900 está recheada de bons detalhes.

Com um preço de 9500 € (mais despesas de legalização), uma electrónica no ponto e um comportamento dinâmico que a todos agradará, esta compacta, e de certa forma sedutora naked de Noale, tem agora mais e melhores argumentos para conquistar os motociclistas que procuram uma moto polivalente.

Aprilia Shiver 900

fonte: Andar de Moto

Envie seu comentário